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Mostrando postagens com o rótulo Livros

Há coisas que dependem de nós e outras não... filosofia na pandemia!

Muito se tem dito sobre essa época que estamos vivendo, acuados em casa por um vírus minúsculo. Digo em relação ao aspecto espiritual da coisa. Que se trata de karma coletivo. Que podemos abrir um portal e dar um salto evolutivo ou retrocedermos e cairmos em um buraco escuro. Que é uma chance de exercitarmos solidariedade e pensarmos mais no outro do que em si mesmo. Até que se trata de uma "faxina" na humanidade e apenas os mais egoístas serão levados, eu já ouvi. Vai saber! Para além do aspecto metafísico, no entanto, vejo que, de fato, se trata de uma oportunidade para estarmos ensimesmados. Sem deslocamentos, sem praia, sem barzinho, sem jantares, sem teatro nem cinema, sem Shopping, sem trânsito para reclamarmos. Sim, talvez o maior desafio dessa quarentena seja justamente a convivência com nosso mundo interior. O estar em silêncio. Sem as muletas externas... teletrabalho, aulas online, lavar pratos, netflix, livros, lavar pratos, youtube, amazon prime, spotify, lav...

Livros sobre gatos

Para os amantes dos felinos - como eu! ;-) -, indico 2 livros lindos que prestam homenagens aos nossos peludos queridos: "O que aprendemos com os gatos", de Paloma Díaz-Mas, e "O gato chinês", de Kwong Kuen Shan. O primeiro é a história de Tris-Trás, Paloma Díaz-Mas nos conta do mundo dos felinos, suas manias, como foi a convivência da autora com seus gatos e como foi perdê-los... é uma espécie de homenagem póstuma, comovente. O prefácio de Ferreira Gullar é igualmente emocionante. Eu adorei a leitura!  A um cavalheiro que chorou com sua esposa uma pequena perda Passaram por nossas vidas cautelosos, como quem pisa em almofadas de algodão; eram capazes de andar no vidro sem quebrá-lo de roçar uma taça sem derramar uma gota sequer. Eram sábios: no verão, escolhiam a sombra mais fresca, no inverno, o calor de nossos corpos adormecidos. Andavam pela casa deixando uma esteira de inapreensíveis fibras de ouro ou nácar. Muitas vezes nos af...

José e Pilar

Fazer aniversário é uma delícia e por vários motivos, um deles é curtir os mimos - presentes, beijos, abraços, cartões, SMS, whatsapp, face -, e eu estou adorando os livros novos! ;-) Recomendo a todos o " Conversas inéditas: José e Pilar ", entrevistas feitas pelo documentarista Miguel Gonçalves Mendes com José Saramago e Pilar del Rio, pela Companhia das Letras. Por que ler? Para ouvir duas pessoas interessantes, com experiências de vida ricas, falando sobre diversos temas, com leveza e profundidade. Eles são inspiradores! Confesso que a condução do documentarista poderia ser melhor, a escolha dos temas a serem discutidos, sua abordagem. Por vezes, suas perguntas são cansativas, insistentes, mas Saramago e Pilar conseguem dar respostas maravilhosas, abrindo o tema, ampliando a perspectiva do questionamento.   "A generosidade é uma senhora que se vê pouco." "Enquanto vivemos fizemos aquilo que tivemos vontade de fazer, que nos pareceu mais in...

Meus desacontecimentos: a história da minha vida com as palavras

Acompanho as colunas da escritora jornalista Eliane Brum e fico encantada como ela consegue dizer o meu não-dito. Ela fala de questões do dia-a-dia, como a diminuição da maioridade penal ou sobre a cibercultura, comenta sobre documentários ( leia aqui sua crítica sobre o documentário Elena ), ao mesmo tempo em que aborda temas delicados e íntimos, como o envelhecer e a homossexualidade. Ela é brilhante! Nunca tinha lido nenhum dos seus livros, então, charlando outro dia na Cultura, resolvi comprar seu lançamento: Meus desacontecimentos: a história da minha vida com as palavras . É autobiográfico. Ao percorrer as páginas, vamos acessando recantos, mistérios da autora. De forma delicada, Eliane Brum vai se mostrando, compartilhando conosco da sua infância e de como essas primeiras histórias a transformaram em quem ela é hoje, ou melhor, como nossas histórias vão nos tecendo dia a dia, indefinidamente. "Só Lili sabia que os livros não eram objetos, mas portais. Quando e...

Grande Sertão: Veredas

Fiz Letras. Há (auto)"exigências" para quem se propõe a conhecer o mundo da linguagem... E uma dessas obrigações era conhecer João Guimarães Rosa - o mágico das palavras. Aluguei (sim, quando iniciei a graduação, descobri uma locadora de livros - um paraíso - se alugasse 3 livros por vez tinha desconto!) "Grande Sertão: Veredas", iniciei a leitura, dura, truncada, língua estrangeira. Abandonei. O tempo passou. A vida passou em mim. Anos depois, já formada, uma amiga trouxe Guimarães Rosa para minha vida novamente. E tanto falou e se emocionou que eu encantada/envergonhada cedi e pedi o livro emprestado. Qual o quê! "O senhor ache e não ache. Tudo é e não é ..." Aquilo vai entrando em você, é igual ler em uma língua estrangeira, no início há distância, mas aí somos absorvidos e o outro vira um. "Eu careço de que o bom seja bom e o rúim ruím, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria ...

A Mulher Independente

Faz dias não posto nada da poderosa Martha Medeiros...  hoje senti vontade! "[...] Fico imaginando que essa tal "mulher independente", aos olhos dos outros, pareça ser uma pessoa que nunca precise de ninguém, que nunca peça apoio, que jamais chore, que não tenha dúvidas, que não valorize um cafuné. Enfim, um bloco de cimento. : ) Quando eu comecei a ter idade para sonhar com independência, passei a ler afoitamente os livros de Marina Colasanti - foram eles que me ensinaram a importância de abrir mãos de tutelas e a se colocar na vida com uma postura própria, autônoma, mas nem por isso menos amorosa e sensível. Independência nada mais é do que ter poder de escolha. Conceder-se a liberdade de ir e vir, atendendo suas necessidades e vontades próprias. Independência não é sinônimo de solidão. É sinônimo de honestidade: estou onde quero, com quem quero, porque quero."  É isso aí! É preciso coragem para assumir que a vida é feita de escolhas, de perdas e fr...

A Escola da Vida

Senti vontade de continuar as postagens da série "A Poderosa MM". Os trechos a seguir são da crônica "A Escola da Vida", escrita em 10 de setembro de 2008: "[...] estamos vivendo uma época em que ter um diploma, uma carreira e uma família bonitinha não tem bastado para preencher nossas almas inquietas. [...] Vive melhor quem lê a respeito das questões que lhe afligem, e não se trata aqui de livros de autoajuda, e sim de romances de ficção, ensaios filosóficos, biografias.  Para se formar um ser humano, não adianta apenas ensinar física, biologia, história, matemática e demais matérias convencionais. Precisamos também de especialistas em viajar, em se relacionar melhor, em consumir cultura, em ter uma visão menos ortodoxa de tudo que nos cerca. O material é farto e os resultados podem ser aplicados no dia a dia. Bem viver também faz parte da educação." Martha Medeiros Parece simples para você? Sabia que até acho que é realmente mais ...

Atravessando a Fronteira do Oi

Nessa crônica, a poderosa fala sobre seu sentimento ao viajar... ela consegue externar exatamente o que sinto e não consigo dizer assim. Viajar é isso mesmo, é você poder usar diversas máscaras, interpretando versões distintas de você mesmo e perceber, ao retornar, que, de fato, um pouco de cada personagem ficou grudado em você. É mágico. [...] O nosso caso é outro: somos um exemplo de como uma cidade estrangeira pode anular cerimônias e estranhamentos. Na cidade da gente, nos agarramos aos nossos hábitos e aos nossos vínculos. Estando fora, viramos uns desgarrados  e naturalmente nos abrimos para conhecer novas culturas, novos costumes e novas pessoas, mesmo pessoas que já poderíamos ter conhecido há mais tempo – mas que não víamos necessidade. Viajando, ficamos mais propícios ao risco e à experimentação. Encaramos bacon no café da manhã, passeamos na chuva, vamos ao super de bicicleta, dormimos na grama, comemos carne de cobra, dirigimos do lado direito do c...

A poderosa MM I

Gente, Martha Medeiros é uma figura muito interessante... é gostoso ler o que ela escreve, sabe? Ela é antenada, tem ideias próprias, aborda temas profundos sem "complicar", afinal, dizem que quem não sabe explicar é porque não sabe!rs Pois, como estou encantada com o novo livro da poderosa MM (uma amiga a chama assim!rs), "Feliz por Nada" , me senti impelida a fazer vários posts com recortes dos trechos que mais gostei. Como sou muito visual, à medida que lia, imaginava uma imagem, então, sempre que possível, compartilharei uma fotografia tirada por mim (não que seja "grandes coisas", mas é o meu olhar, não é verdade?). Abrindo a série "A poderosa MM" : DENTRO DE UM ABRAÇO A intimidade da gente é irreproduzível. [...] Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve. [...] D...

O Conto da Ilha Desconhecida

Acho que ainda sob o efeito da morte de Saramago, esses dias reli O Conto da Ilha Desconhecida , pequeno grande livro desse escritor português. O conto é uma metáfora da própria vida. Fala de um sujeito comum que procura o Rei de seu país em busca de receber um barco para ir à procura de uma ilha desconhecida. O rei tenta demovê-lo desse intento, afinal, todas as ilhas estão mapeadas, não há mais ilhas desconhecidas... O homem insiste, argumenta que “é necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não nos saímos de nós”. A moça que limpava o castelo real resolve “sair pela porta das decisões, que quase nunca é usada, mas quando o é, é” e acompanhá-lo nessa empreitada. Embora possuindo um barco, ele não consegue arregimentar a tripulação necessária. “[...] não iriam eles tirar-se do sossego dos seus lares e da boa vida dos barcos de carreira para se meterem em aventuras oceânicas, à procura de um impossível”. “[...] é deste modo que o destino costuma comportar-se c...

Prece de Lóri

"Alivia a minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar não é morrer, que a entrega em si mesmo não significa a morte, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que me lembre de que também não há explicação porque o filho quer o beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito, faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma pois senão não poderei sentir que Deus me amou, fa...