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Mostrando postagens com o rótulo Poesia

Casa arrumada, mente equilibrada

Tudo no Universo tem uma Ordem, não é verdade? A Natureza não é aleatória, o sol não nasce apenas quando está a fim, a lua não deixa de brilhar porque está triste, as estações - primavera, verão, outono, inverno - se sucedem, independente de pandemia, de guerras ou nossos lutos pessoais. E nós, seres humanos, não podíamos ficar de fora dessa Ordem. O Caibalion - estudo da filosofia hermética do antigo Egito e da Grécia - nos ensina que “sempre existe a vibração rítmica de um pólo a outro. O Pêndulo Universal sempre está em movimento. As marés da Vida sobem e descem de acordo com a Lei”, da mesma forma que “há sempre uma ação e uma reação, uma marcha e uma retirada, uma alta e uma baixa, manifestadas em todos os tons e fenômenos do Universo.” A Ordem, portanto, permeia toda nossa vida, nos aspectos físicos, energéticos, emocionais, mentais. "O que está em cima é como o que está embaixo", princípio da correspondência. Se estamos organizados dentro, nossa vida externa será espe...

Flores raras

Acho que a crítica é sempre muito exigente com o cinema nacional, não sei se com razão ou sintoma de um complexo de inferioridade, sei lá! Vi Flores Raras e gostei bastante. O filme conta a (es)história da escritora americana Elisabeth Bishop (Miranda Otto)  com a paisagista brasileira Lota de Macedo Soares (Glória Pires), responsável pelo projeto do Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Fui apresentada à poetisa há uns 10 anos, trabalhamos na disciplina "Tópicos em Tradução" o poema fantástico One Art , com o qual Bruno Barreto começa e termina o filme, nos mostrando - de maneira simples - o correr da vida da escritora, seu universo e seu fazer poético. One Art The art of losing isn't hard to master; so many things seem filled with the intent to be lost that their loss is no disaster, Lose something every day. Accept the fluster of lost door keys, the hour badly spent. The art of losing isn't hard to master. Then practice losing farther, los...

Mortal Loucura - Gregório de Matos

O ser humano sendo sublime e humilde... Poema de Gregório de Matos, musicado por José Miguel Wisnik e interpretado por Caetano Veloso para o musical Onqotô do Grupo Corpo em 2005. No vídeo, quem recita é Bethânia. Mortal loucura Na oração, que desaterra … a terra, Quer Deus que a quem está o cuidado … dado, Pregue que a vida é emprestado … estado, Mistérios mil que desenterra … enterra. Quem não cuida de si, que é terra, … erra, Que o alto Rei, por afamado … amado, É quem lhe assiste ao desvelado … lado, Da morte ao ar não desaferra, … aferra. Quem do mundo a mortal loucura … cura, A vontade de Deus sagrada … agrada Firmar-lhe a vida em atadura … dura. O voz zelosa, que dobrada … brada, Já sei que a flor da formosura, … usura, Será no fim dessa jornada … nada.

A Arte de Perder - Elizabeth Bishop

  UMA ARTE / A arte de perder – até um traste aprende; e há tanta coisa que pretende a perda, que perder não é desastre. Perca todos os dias algo. Afaste a dor de ter perdido a chave, o tempo. Ora, perder aprende até um traste. A prática da perda então se alastre por nomes e lugares, e onde pense viajar. Que nada irá trazer desastre. Perdi o relógio da mamãe; não baste, das casas, a que mais me fez contente. Ora, perder aprende até um traste. Perdi duas cidades. E, em contraste, dois rios, um domínio e continente. Sinto saudades. Mas não foi desastre. – Mesmo perder você (a voz, o gesto que eu amo), tanto faz. Que até um traste aprende a arte de perder, se bem que se pareça (escreva!) com desastre.

Soneto do Vinho

Soneto do Vinho Em que reino, em que século, sob que silenciosa Conjunção dos astros, em que dia secreto Que o mármore não salvou, surgiu a valorosa E singular idéia de inventar a alegria? Com outonos de ouro a inventaram. O vinho flui rubro ao longo das gerações Como o rio do tempo e no árduo caminho Nos invada sua música, seu fogo e seus leões. Na noite do júbilo ou na jornada adversa Exalta a alegria ou mitiga o espanto E a exaltação nova que este dia lhe canto Outrora a cantaram o árabe e o persa. Vinho, ensina-me a arte de ver minha própria história Como se esta já fora cinza na memória. Jorge Luis Borges

O Amor - Maiakóvski

O ser humano, em alguns momentos de inspiração, demonstra ser realmente divino... esse poema de Maiakóvski, adaptado por Caetano Veloso e lindamente cantado por Gal Costa é... lindo demais! Sim, que "o pai seja, pelo menos, o Universo; e a mãe, no mínimo, a Terra"! O Amor Maiakóvski Um dia, quem sabe, ela, que também gostava de bichos, apareça numa alameda do zôo, sorridente, tal como agora está no retrato sobre a mesa. Ela é tão bela, que, por certo, hão de ressuscitá-la. Vosso Trigésimo Século ultrapassará o exame de mil nadas, que dilaceravam o coração. Então,de todo amor não terminado seremos pagos em inumeráveis noites de estrelas. Ressuscita-me, nem que seja só porque te esperava como um poeta, repelindo o absurdo quotidiano! Ressuscita-me, nem que seja só por isso! Ressuscita-me! Quero viver até o fim o que me cabe! Para que o amor não seja mais escravo de casamentos, concupiscência, salários. P...

2012, finalmente! O tempo, Mário Quintana

O mês de janeiro já está indo... um novo ano se inicia, com ele os mesmos sentimentos de ansiedade em dias melhores, promessas e projetos, o desejo de que tenhamos mais encontros que desencontros, mais alegrias que perdas. É fantástico termos - ano após ano - uma nova oportunidade de nos reinventarmos, de acertarmos nossas contas internas, nos equilibrarmos na dança da Vida. Claro que nem sempre - eu diria que quase nunca - o dia a dia nos traz o que almejamos e, no "balanço das horas", somos instados a prosseguir com  aquilo que conseguimos. Fazer o quê? Aceitar. Acolher. Encarar - se tiver coragem, de frente! -, e, sobretudo, sempre, ACREDITAR...   O Tempo A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando de vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é Natal... Quando se vê, já terminou o ano... Quando se vê não sabemos mais por onde andam nossos amigos... Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê passaram ...

Clarice Lispector

Já devo ter dito isso. Em todo caso, preciso enfatizar que não é possível para mim falar do "delicado" da vida sem citar Clarice... hoje ela  conversa comigo e me diz: “E eis que depois de uma tarde de “quem sou eu” e de acordar à uma hora da madrugada ainda em desespero – eis que às três horas da madrugada acordei e me encontrei. Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente eu sou eu. E você é você. É lindo. É vasto, vai durar. Eu não sei muito bem o que vou fazer em seguida, mas por enquanto olha pra mim e me ama. Não! Tu olhas pra ti e te amas, é o que está certo.” Clarice Lispector Ninguém poderia traduzir algo tão profundo e complexo e confuso, como o sentido da Vida e da nossa vida, os (des)acertos do amor, de uma maneira tão simples e Bela. A leitura de Wagner Moura ficou bem bonita também!

Oswaldo Montenegro - Se Puder Sem Medo

A Poesia

Ler poesia é uma experiência mágica, os versos não são lidos com a consciência, são absorvidos, sorvidos, simplesmente sinto cada palavra reverberando dentro de mim. É assim. Deixar-se, deixar ser. Sair de si. Contemplar-se. Como contempla o mar. E permitir-se, Simplesmente ser. Corra atrás das coisas que deseja ter, Mas tome cuidado para que as coisas não tenham você! (Poema retirado do livro O Yoga e o Ser, de Tales Nunes, disponível em www.vidadeyoga.com.br)

A Palavra

A palavra é uma roupa que a gente veste  Uns gostam de palavras curtas.  Outros usam roupa em excesso. Existem os que jogam palavra fora. Pior são os que usam em desalinho. Alguns usam palavras raras. Poucos ostentam caras. Tem quem nunca troca. Tem quem usa a dos outros. A maioria não sabe o que veste. Alguns sabem e fingem que não. E tem quem nunca usa a roupa certa pra ocasião. Tem os que se ajeitam bem com poucas peças. Outros se enrolam em um vocabulário de muitas. Tem gente que estraga tudo que usa. E você, com quais palavras você se despe? Viviane Mosé http://www.vivianemose.com.br/

Conclusões de Aninha

Estavam ali parados. Marido e mulher. Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça tímida, humilde, sofrida. Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho, e tudo que tinha dentro. Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar novo rancho e comprar suas pobrezinhas. O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula, entregou sem palavra. A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou, se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar E não abriu a bolsa. Qual dos dois ajudou mais? Donde se infere que o homem ajuda sem participar e a mulher participa sem ajudar. Da mesma forma aquela sentença: "A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar." Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada, o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso e ensinar a paciência do pescador. Você faria isso, Leitor? Antes que tudo isso se fizesse o desvalido não morreria de fome? Conclusão: Na p...

Ferreira Gullar

Esses dias uma amiga me fez lembrar de Ferreira Gullar. Há 2 textos que me marcaram: o poema Traduzir-se e seu relato sobre a morte de Clarice: Morte de Clarice Lispector Enquanto te enterravam no cemitério judeu de S. Francisco Xavier (e o clarão de teu olhar soterrado resistindo ainda) o táxi corria comigo à borda da Lagoa na direção de Botafogo E as pedras e as nuvens e as árvores no vento mostravam alegremente que não dependem de nós TRADUZIR-SE Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta: outra parte se espanta. Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente. Uma parte de mim é só vertigem: outra parte, linguagem. Traduzir uma parte na outra parte - que é uma questão de vida ou morte - será arte?

Cora Coralina

Assim eu vejo a vida A vida tem duas faces: Positiva e negativa O passado foi duro mas deixou o seu legado Saber viver é a grande sabedoria Que eu possa dignificar Minha condição de mulher, Aceitar suas limitações E me fazer pedra de segurança dos valores que vão desmoronando. Nasci em tempos rudes Aceitei contradições lutas e pedras como lições de vida e delas me sirvo Aprendi a viver. Disponível em: http://www.releituras.com/coracoralina_vida.asp