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"Detachment" e "Ferrugem e Osso"

Vi bons filmes esses dias e quero recomendá-los! ;-) O americano Detachment , cujo nome em português – O Substituto – não faz jus à complexidade do filme. Detachment pode significar “the state of not being influenced by emotion or prejudice”, ou seja, “Desapego” ou “Imparcialidade”? A partir do olhar de um professor substituto em uma escola americana, a temática da indiferença é trazida e perpassa todas as relações. Não se trata de um filme sobre professores e alunos somente, mas sobre seres humanos e suas dificuldades (intra) interpessoais. A direção é de Tony Kaye, o mesmo de “A Outra História Americana” e o protagonista é Adrien Brody (d’ O Pianista) e ainda temos a oportunidade de ver Lucy Liu em um contexto inesperado, preste atenção na cena em que sua personagem, uma psicóloga, se descontrola ao conversar com uma aluna. “E eu nunca me senti tão imerso em uma pessoa ao mesmo tempo em que estou tão desapegado de mim mesmo e tão presente no mundo” Albert Camus ...

Grande Sertão: Veredas

Fiz Letras. Há (auto)"exigências" para quem se propõe a conhecer o mundo da linguagem... E uma dessas obrigações era conhecer João Guimarães Rosa - o mágico das palavras. Aluguei (sim, quando iniciei a graduação, descobri uma locadora de livros - um paraíso - se alugasse 3 livros por vez tinha desconto!) "Grande Sertão: Veredas", iniciei a leitura, dura, truncada, língua estrangeira. Abandonei. O tempo passou. A vida passou em mim. Anos depois, já formada, uma amiga trouxe Guimarães Rosa para minha vida novamente. E tanto falou e se emocionou que eu encantada/envergonhada cedi e pedi o livro emprestado. Qual o quê! "O senhor ache e não ache. Tudo é e não é ..." Aquilo vai entrando em você, é igual ler em uma língua estrangeira, no início há distância, mas aí somos absorvidos e o outro vira um. "Eu careço de que o bom seja bom e o rúim ruím, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria ...

"E se vivêssemos todos juntos?" e "Amour", sobre o envelhecer, amizade e amor.

No último final de semana do ano, período já marcado por reflexões e revisões de percurso, vi dois filmes incômodos sobre o envelhecer... “E se vivêssemos todos juntos” , no original “ Et si on vivait tous ensemble ?”, co-produção França e Alemanha, roteiro e direção de Stéphane Robelin, e Amour , roteiro e direção do austríaco Michael Haneke, o mesmo de “A Fita Branca”, vencedor do Festival de Cannes 2012, com Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant.  Trailler legendado de "E se vivêssemos todos juntos" Os dias passaram e não consegui não escrever sobre o assunto... o filme de Robelin traz um grupo de amigos que resolvem morar na mesma casa, de modo que possam apoiar-se mutuamente em seu processo de envelhecimento – aborda a fragilidade, a dependência, as limitações, o adoecer -, no entanto, é mais suave, aponta sem ferir. Trailer legendado de Amour Já Amour é “baço.com”, silencioso, ritmo lento, 123 minutos de duração em que não se consegue...

Soneto do Vinho

Soneto do Vinho Em que reino, em que século, sob que silenciosa Conjunção dos astros, em que dia secreto Que o mármore não salvou, surgiu a valorosa E singular idéia de inventar a alegria? Com outonos de ouro a inventaram. O vinho flui rubro ao longo das gerações Como o rio do tempo e no árduo caminho Nos invada sua música, seu fogo e seus leões. Na noite do júbilo ou na jornada adversa Exalta a alegria ou mitiga o espanto E a exaltação nova que este dia lhe canto Outrora a cantaram o árabe e o persa. Vinho, ensina-me a arte de ver minha própria história Como se esta já fora cinza na memória. Jorge Luis Borges

The long and winding road

Sei que hoje é o dia do samba, 02 de dezembro!, e a-do-ro samba, mas meu espírito está mais para Beatles, fazer o quê? ;-)

(500) Days of Summer

"(500) Dias com Ela" . Tenho esse filme há tempos, mas, não sei, nunca me animei para ver – e olha que adoro comédia romântica! -, talvez por ser americano... preconceito?   Aí estava em um café outro dia, lendo uma   matéria na revista Vida Simples que falava sobre como se “desapaixonar”. Interessante. É bom ler de um profissional que aquelas velhas crenças, tipo manter distância do seu objeto de desejo ou de que o período de luto está aí para todos, têm fundamento científico. Então, na matéria, havia uma chamada para o filme, falando justamente que se tratava de uma comédia romântica enviesada. Como nos diz o narrador da estória, “essa não é uma história de amor”.   Na verdade, fala de uma relação que, como tantas, acaba...   com um dos dois ainda querendo. (Claro! Nada de desistência simultânea! :-)) E como se dá o processo de (des)encantamento.  A direção é de Marc Webb , o mesmo de “O Espetacular Homem-Aranha”, americano.   Os pro...

Tudo que você tem não é seu

Já disse outras vezes que a Arte tem a capacidade de me transmutar... e não me cansarei de sentir e tentar verbalizar essa verdade. Se algo te aflige, pára de pensar, ouve uma música, contempla um quadro de Van Gogh, vai ao teatro, você verá que aquilo que roia seu juízo já não faz tanto barulho... Pop Zen Tudo que você tem não é seu Tudo que você guardar Não lhe pertence nem nunca lhe pertencerá Tudo que você tem não é seu Tudo que você guardar Pertence ao tempo que tudo transformará Só é seu aquilo que você dá Só é seu aquilo que você dá Tudo aquilo que você não percebeu Tudo que não quis olhar É como o tempo que você deixou passar Tudo aquilo que você escondeu Tudo que não quis mostrar Deixe que o tempo com tempo vai revelar Só é seu aquilo que você dá Só é seu aquilo que você dá E o beijo que você deu é seu E o beijo que você deu é seu (Alexandre Leão, Manuca Almeida e Lalado) Disponível em:  Letra e vídeo de POP ZE...