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Você quer ser melhor pra mim e acaba melhor pro mundo

  Essa música é da banda Penélope. Linda canção. Aqui com participação de Samuel, do Skank. Acho que gosto dela porque realça a ideia de que a melhora do entorno começa dentro de cada um de nós, por meio do desenvolvimento pessoal individual. E ainda traz a inspiração de que o amor tem esse poder de iluminar, de nos elevar uma oitava acima, nos faz mudar a perspectiva, sair da mente-umbigo e olhar o outro. ;-) Continue Pensando Assim Não me peça pra ficar sabendo que o controle não é seu e nem meu E sempre estarei aqui, quando vc precisar de mim. Você me ama exatamente como eu gostaria Faz o mundo girar ao meu redor Vê como a vida está mais bela, só mudou sua forma de olhar. Vê como a vida está mais bela Continue pensando assim. Você quer ser melhor pra mim Continue pensando assim. Você quer ser melhor pra mim E acaba melhor pro mundo. E acaba melhor pra tudo. Fale somente o essencial, a vida se encarrega dos encontros. E sempre estarei aqui, quando você precisar d...

"Estamos preparados para vivenciar com tolerância a pluralidade característica do coletivo?"

Dois filmes bonitos e fortes, ambos disponíveis no Amazon Prime, abordam a questão da homossexualidade, a relação entre pai e filho, o envolvimento da família e da sociedade da época. O conservadorismo, o preconceito, a não aceitação e a negação do próprio desejo, a violência e também o amor. Por que os assistir? Para exercitar o olhar, a sensibilidade, a empatia. Penso que a ficção retrata nossos dramas humanos e nos ajuda a significá-los. É espelho.   Uncle Frank se passa em 1973 e conta a história de Frank, gay, filho mais velho de uma família do sul dos Estados Unidos, bem tradicional e conservadora. O filme mostra uma relação tensa entre Frank e o pai - ao longo do filme compreendemos o motivo, não vou contar! -, o retrata também à margem da família, como se não pertencesse àquele grupo. Seus gostos são mais refinados, é professor universitário em Nova York, ensina Literatura, é casado há 10 anos com Walid, mas sua família não sabe. É admirado pela sobrinha Beth, a perso...

Comédias românticas na Netflix

Bem, primeiro dia do ano e pode ser que você queira ver algum filme leve, mas que também não seja uma completa perda de tempo, não é verdade? Eu tenho dias que gosto de assistir comédia romântica, de preferência com final feliz. É, nada cult, eu sei.rs É que já há tantos desencontros na vida... deixa eu focar na arte do encontro de vez em quando! Então, vou sugerir 3 filmes nessa linha, todos disponíveis na Netflix: "Meu eterno talvez", "Encontro com data marcada" e o indiano "Queen". Meu Eterno Talvez , no original, "Always be my maybe", direção de Nahnatchka Khan, conta a história de Sasha (Ali Wong) e Marcus (Randall Park). Eles são amigos desde a adolescência. Os pais de Sasha passavam horas fora trabalhando e ela costumava ficar na casa de Marcus, cujos pais a acolhiam. Até que  por volta da formatura deles no colégio, a mãe de Marcus morre e, no clima de consolar e acolher, eles se beijam e rola a transa. Constrangidos, eles se afastam. O t...

Querida Konbini (Konbini Ningen), de Sayaka Murata

Irasshaimasê! Bem-vindo em japonês. Konbini é uma espécie de loja de conveniência japonesa e a autora utiliza esse "não-lugar" como metáfora da vida. Discute o que é ser normal na sociedade, as relações interpessoais e a nossa relação com o trabalho. A personagem principal, Keiko, é a narradora. Ela é uma espécie de caricatura desse não-normal. Possui problemas de sociabilidade, é desprovida de sentimentos, apresenta uma forma muito racional e analítica de funcionar. Quase um robô rodando um programa de como ser "ser humano" (Lembrei dos andróides de Blade Runner!). É alguém que não se adapta ao entorno, não consegue compreender "qual o jeito certo de sorrir, de cumprimentar", de viver. Os outros a consideram estranha, a família entende que ela precisa ser curada, ela não entende qual é a sua doença. Do ponto de vista de Keiko, nos contagiamos com o jeito de ser das pessoas com as quais convivemos, absorvemos seu modo de vestir, de falar, de reagir. E esse...

Falar sobre a morte? Uma advertência para a vida...

Talvez por conta da pandemia de COVID-19 e o grande número de mortos no mundo, os últimos livros que li falam sobre o morrer, trazem uma reflexão sobre como nos sentimos quando temos uma doença terminal e sabemos que o tempo de vida que nos resta está acabando. "A morte de Ivan Ilitch" , de Leon Tolstoi, é uma ficção e, como o nome sugere, narra a morte - e também a vida - de um juiz de 45 anos, no século XIX. Em seguida, li "A morte é um dia que vale a pena viver" , de Ana Claudia Quintana Arantes, livro atual que aborda o morrer do ponto de vista de uma médica especialista em Cuidados Paliativos. Ana Claudia trabalha com doentes terminais e observa que o que mais os apavora não é a morte em si, mas a ideia de não ter aproveitado a própria vida, o como vivemos. "E se na verdade toda a minha vida tiver sido errada?" , se questiona Ivan Ilitch.  Falar sobre o fim nos lembra do caminho que percorremos, não é verdade? Não me sinto à vontade para "dar co...

Sejamos realistas esperançosos!

Eu costumo dizer que sou uma pessoa otimista, meu copo está sempre meio cheio. Ao longo da vida - hoje tenho 46 anos - essa maneira de viver o dia a dia foi muito confundida com alienação, ingenuidade ou era a menina "que não deve ter problemas", sempre sorrindo. Talvez faça mesmo algum sentido porque, de fato, não acho que preciso ter opinião sobre tudo (alheia por convicção!), acredito no ser humano (" you may say I'm a dreamer" ) e, realmente, não tive grandes dificuldades ao longo da vida. Mas gosto de pensar que sou uma realista esperançosa , no dizer de Ariano Suassuna. Ao longo desses meses, em meio à pandemia do coronavírus, refleti sobre o conceito de espera-nça e seu oposto, o des-espero . Ouvi filósofos e poetas. Para mim, quem tem esperança espera que o Bom, o Belo, o Justo e o Verdadeiro - os ideais platônicos - se sobreponham. Porque é próprio do homem. Confia no insondável, na vida e, principalmente, tem fé em si mesmo . A esperança em que acredi...

O Porco Espinho, Le Hérisson

Gostei do filme francês Le Hérisson . A personagem pricipal, Paloma - uma menina de 11 anos, de classe alta, inteligente -, decepcionada com a vida que observa ao seu redor, decide que quando fizer 12 anos irá se matar, pois essa é a única maneira de fugir do destino que a espera. Com uma filmadora velha do pai, vai gravando cenas de sua vida cotidiana, seus olhares. O filme conquista talvez pela sutileza. É mais do que a diferença de classes, a zeladora que não é vista, a vida vazia da classe alta, os 10 anos de terapia-antidepressivos-champagne, a falta de comunicação verdadeira nessa família... é o esconderijo perfeito - um quarto repleto de livros, de mundos que encantam Madame Michel -, é a gentileza e o respeito de um estranho, o desenho e a filmadora de Paloma ajudando-a a significar a vida. "O mais importante não é a morte em si, mas o que você estava fazendo quando ela chegou", é o como se leva a vida que dá sentido à morte e há sempre oportunidade de mudarmos a ...